Pessoal · Sem categoria · Vida

Da escola para a bancada

Olá a todos,

Tem sido bastante tempo desde que postei aqui, mas que novidade é essa, não é verdade?

Ultimamente a minha vida tem dado uma volta muito grande e espero que para o melhor, mas fiquem aqui para ler com alguns os detalhes.

Rise from the ashes
Rise from the ashes

Capítulo I – Tese de Mestrado

Ainda antes de reviver isto das cinzas andava ocupada com um grande projecto, a minha tese de mestrado. Como qualquer aluno prestes a subir na carreia ( mais a fazer por isso …) decidi tomar algumas decisões: por de parte os meus hobbies e focar-me somente neste trabalho.

Devo dizer que não foi a melhor das decisões e rapidamente apercebi-me que precisava de algo que me desenjoa-se daquele mundo. Cosplay sempre foi uma grande escapatória para mim mas fui fazendo com menos frequência, algo que fui apreciando ao longo do tempo. Durante esta fase da minha vida devo de dizer que houve altos e baixos, como em qualquer fase da nossa vida, e aprendi muito. Cada vez mais concluo que isto foi uma tese do espírito pessoal e não científica. Cresci muito como pessoa , aprendi a ser organizada, a ser mais focada, persistente e tudo mais.

Além de na altura parecer muito afectada com tudo à minha volta, hoje reflicto todo esse processo como um momento de aprendizagem muito forte e que se consegui aquilo, consigo muito mais.

No fim, não saí muito satisfeita mas falar sobre isso é chorar sobre leite derramado. Já foi. Já acabou.

Capítulo II – Desamparada

Depois de entregar a tese, consigui um mini trabalho que é diferente de part-time. Comecei a dar explicações num centro de estudos e pode-se dizer que foi dos primeiros trabalhos que tive. Além de fazer muitas poucas horas e ganhar pouco, achei que estava a fazer algo que me ajudava a subir na vida ou a sobreviver naquele momento. Para contextualizar, nesta altura tinha acabado de sair da casa dos meus pais e tudo era uma experiência pronta a ser vivida. Além de ter imenso apoio de quem me rodeada não deixava de pensar no quanto tinha de trabalhar para equalizar o que os outros traziam para mesa. Como devem calcular, dar apoio num centro de estudo duas a quatros horas por semana não era nada.

Nisto, e como sempre, tentava encontrar algo na minha área porque a sede disso era enorme. Desde empresas a bolsas, tentei tudo. tentei fora da minha especialidade, eu percorri tudo. e que recebia de volta? Não ou nada, até.

Isto não é novidade para ninguém. Está nas notícias: cada vez mais há mais licenciados desempregados. Eu tentei fazer um mestrado para me abrir as portas que a licenciatura não pôde. Depois de muito suor e terminar isto a pensar que podia ter dado mais, o não receber respostas positivas de volta fez-me culpabilizar de tudo à minha volta. Sair de casa sem emprego garantido? Seria sonhar de mais? Encarregar os outros dos meus gastos? Serei assim tão incompetente?

Eu perguntava-me isto mas esquecia-me que tinha acabado de receber o grau de mestre. E quando pensava isso perguntava-me, para quê?

Capítulo III – Em acção borboleta

Continuando a enviar currículos a tudo o que era anúncio da minha área, continuava no centro de estudos acima mencionado. Pouco devo dizer que me consumia a alma não só estar lá como a própria viagem me cansava. Demorava quase 2 horas a chegar ao destino e o trabalho era penoso. Mas sempre me mantive, porque não tinha opção. Meses mais tarde, continuando não tendo bandeira verde da minha área o meu namorado sugeriu-me entregar um currículo a um centro de estudos perto de casa, assim seria mais fácil para mim relativamente à viagem ( diferença de 1H55 min).

Um mês depois a responsável contacta-me para um entrevista e fiquei a dar apoio em estudo acompanhado e mais tarde até cheguei a dar explicações. O trabalho era monetariamente apelativo uma vez que não era a recibos verdes e tinha um contrato nas mãos, mesmo sendo só part-time. Acho que é agora que abro a página da minha vida a vocês para vos explicar o quão difícil é lidar com miúdos hoje em dia. Numa palavra: horrível. Estão super mal educados e nada à vontade em estar num centro depois da escola. Não os culpo, até os compreendo mas não podia dizer isso à frente deles. O que posso dizer é que todos os dias voltava para casa muito pensativa e claro, continuava a culpabilizar-me de não arranjar nada, que devia ter feito melhor e mais no passado, que tudo era culpa minha e somente minha.

Se acham que isto não doloroso o suficiente, tentem durante meses. Devo dizer que a única escapatória que encontrei aqui para me fazer sentir melhor (de mim para mim) era compras. Maquilhagem, comprei muita. Nunca tinha recebido tanto na minha vida que me desse a possibilidade de comprar objectos caros, então assim me vinguei. Bolas, até me inscrevi num ginásio!

Capitulo IV – A passagem

No fim de junho, o centro de estudos fechou para férias uma vez que os miúdos não têm aulas e não há necessidade de mais aulas ou explicações. Posto isto e tinha algum dinheiro, mas não muito. Aliás, verdade seja dita, largar um certo estilo de vida que me estava a habituar foi algo complicado. Como assim não posso ir à Sephora e comprar algo? Como assim não posso todas as semanas sair e pedir sobremesa depois dum belo jantar num restaurante?! E no fim, tinhas férias marcadas no Algarve, Vila Real e no PortAventura.

Nossa. Foi muita coisa este ano.

Gostava de fazer um parêntesis aqui, é tudo muito bonito escrito, parece que o tempo passou a correr e que não custou nada. Mas custou tanto, mas tanto. 24 horas vezes 7 dias vezes 4 semanas multiplicado por dois meses. Terrível. Cheguei até a ter insónias devido à ansiedade. Mas ansiedade? Que ansiedade?!

Eu sabia que se não encontrasse nada no mês de julho e agosto que voltava para o centro de estudos e tudo isso me fazia mexer com os nervos. Alternou-me a nível fisiológico e psicológico.

Capítulo V – O florescer da primavera em pleno outono

É setembro. Onde está o emprego que quero? Nada? Então volta a enviar mais currículos, a tudo o que encontras.

Num dia muito ocupado (ou não) da minha parte, estava Catarina no ginásio e recebe uma chamada dum número desconhecido. Pensei em imensos factores, publicidade? Engano? Emprego? Felizmente foi para a última opção e fiquei tão feliz que quando fui para o duche as lágrimas escorreram-me dos olhos. Como nessa semana ia de viagem fui à entrevista assim que pude. O que resultou desse encontro foi conhecimento e muita dúvida. Era para um empresa e o trabalho em si fiquei muito pouco entendida, o local de trabalho era longe mas longe! Nesta proposta senti que havia muitos pontos negativos mas um positivo: trabalhar na minha área ou perto desta.

Na azáfama das decisões difíceis, neste mar de dúvida, no deserto da incerteza, surge mais respostas, e positivas! Aconteceu que no fim acabei por aceitar uma bolsa de Mestre que estou correntemente a experienciar e tem sido super inovador. Estou a aprender e a alargar o meu espectro de especialização.

Gostaria de finalizar isto com um “capítulo final” mas isto não é o final, é o meu recomeço, esta é a minha fénix. O que poderia transmitir-vos é o nunca desistir e perseguir sempre o que tanto desejam mas isso não é a verdade. O que eu consegui podia ser qualquer pessoa, o que continua a ser importante é que ganhei calo a nível profissional mesmo que tenha sido algo super fora da ciência. Mostrei versatilidade e nos dias de hoje, é uma mais valia.

Portanto, lutem mas lutem por vocês. Sejam inovadores e pensem fora da caixa. Se não der na área que vocês tanto estudaram a culpa não é vossa.

A quem  está numa situação difícil, espero que superem isso o mais depressa possível e continuem à procura.

Que a força esteja convosco. E se não estiver, estou eu.

Stay Fierce
Stay Fierce

😉

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